Livro sobre o Sairé ganha nova edição ampliada com documentos inéditos
23/10/2026
(Foto: Reprodução) ivro do padre Sidney Canto sobre a história do Sairé ganha segunda edição revista e ampliada em Santarém.
Divulgação
A história e as transformações da tradicional manifestação cultural de Alter do Chão, distrito de Santarém, no oeste do Pará, ganham um novo registro com o lançamento da segunda edição do livro sobre o Sairé. A publicação revista e ampliada chega ao público com entrada gratuita em dois eventos. Em um deles, na Praça do Sairé, na vila balneária, contará com apresentações e rituais tradicionais.
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A nova versão da obra, intitulada "Alter do Chão e Sairé: contribuição para a história" e escrita pelo padre Sidney Augusto Canto, tem 176 páginas — 76 a mais que a edição original lançada em 2014, cujos 700 exemplares se esgotaram em duas semanas.
Programação de lançamento
O primeiro encontro ocorre no dia 29 de outubro de 2026, a partir das 19h, em uma casa de eventos, localizada na Avenida Marechal Rondon. Já a programação na vila balneária está marcada para 1º de novembro de 2026, às 20h30, na Praça do Sairé.
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Pesquisa e novos acervos
Para aprofundar a narrativa, o autor consultou arquivos históricos internacionais e estaduais, como registros da Torre do Tombo, de Portugal, e do Arquivo Público do Estado do Pará (Apep). O material inclui publicações de jornais e revistas antigas, além de documentos sobre a rotina da comunidade antes do retorno oficial da festa, na década de 1970.
A abordagem prioriza os aspectos histórico e antropológico, tratando o Sairé não apenas como um evento local, mas como uma prática de catequese jesuítica que alcançou diversas regiões da Amazônia durante o período colonial.
Resistência popular
Além da dimensão religiosa, a obra pontua os períodos em que a festividade enfrentou restrições e proibições, especialmente nas décadas de 1930 e 1940, impostas por autoridades civis e pela própria Igreja Católica. O autor destaca o caráter de resistência da população para manter o costume vivo.
"O Sairé nasceu do encontro de culturas diferentes: indígena, europeia e africana, capitaneado pelas missões religiosas, principalmente os jesuítas. Mas também é uma manifestação de resistência. Já foi proibido pela Igreja Católica e pelo governo civil, mas resistiu através do povo", explicou o autor.
O pesquisador também ressaltou que o acesso aos registros históricos é fundamental para que as novas gerações compreendam as raízes da festividade e a identidade comunitária de Alter do Chão.
"A memória é um direito constitucional. Deixar registrada a história é importante para que esse direito seja aplicado no dia a dia. Muitas coisas que acontecem hoje têm suas origens no passado, e estudar isso ajuda a entender o presente", concluiu.
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